domingo, 28 de dezembro de 2014

Final de ano


Quando chega o final de ano, todos nos começamos a pensar em tudo aquilo que passámos e aprendemos. O medo surge em nós, capta-nos a atenção. Temos medo de perceber que foi um ano desperdiçado, que não aprendemos nada. Temos medo de ficarmos desiludidos, principalmente com nós próprios.
Mas começando pelo início… Comecei o ano com o coração num caco, com toda a vontade do mundo para começar de novo, para lutar por tudo o que queria, para ir para bem longe daqui. Pouco tempo depois o meu mundo voltou a erguer-se e eu apaixonei-me. Um amor estranho, algo que já podia ter começado há muito tempo, mas, para mim, só naquele momento é que tinha sentido.  Estava no meu 12ºano. Fiz parte da comissão de finalistas. Organizei festas. Tive o meu baile de finalistas com as pessoas mais especiais! Fui à viagem de finalistas, a suposta viagem das nossas vidas. Fiquei encerrada com não sei quantas pessoas no elevador do Esmeralda Suites. Fiz muitas asneiras.  Errei muito e fui magoada mais do que nunca. Perdi o meu mundo cor de rosa e fantástico de secundário. Fiz os exames de que dependiam a minha vida. Tive um 9.1 a matemática no exame, quando só precisava de 9.5. Pedi recurso. Perdi 20 euros, porque a nota não subiu. Fiz a minha candidatura, com todo o medo e ansiedade que isso implicava. O meu Verão resumiu-se a medo, medo, medo. Tive pedras nos rins. A minha relação ainda durava e estava mais apaixonada que nunca. Fui a festas. Diverti-me, chorei de tanto rir. Desiludi-me com tantas pessoas… O resultado da minha candidatura chegou ao meu mail e num piscar de olhos, já era universitária. Ia ser mais uma filha do Mondego. Coimbra, naquele momento, tinha-se tornado um bocadinho minha também. Senti que os meus pais tinham verdadeiramente orgulho em mim. Fiquei feliz e orgulhosa por todos os meus amigos que tinham conseguido entrar, talvez bem mais que eles. Tornei-me caloira de Coimbra, fui praxada de manhã à noite. Apaixonei-me pela praxe. Dei a maior queda na praxe. Aprendi a respeitar o traje. Conheci imensas pessoas novas. Criei uma família, a minha família de Coimbra. Tive jantares de curso. Gostei tanto do curso para o qual entrei que cheguei a agradecer não ter conseguido positiva a Matemática! Fiz o pedido à minha madrinha e, mais tarde, ao meu padrinho. Fui baptizada na minha faculdade. Levei com restos de comida em cima, incluído uma pata de galinha com unhas. Comi uma malagueta com alho. Tive a minha primeira latada, a minha primeira serenata. Meteram-me a capa aos ombros. Fui ao cortejo de Coimbra vestida de frasco de urina. Dei um nabo à minha avó (de praxe) e trinquei mais nabos nesse dia que em toda a minha vida. Fui baptizada no Mondego. Tornei-me a caloirinha de muitos doutores.  A minha relação acabou. Perdi muitos amigos de secundário que pensava que iam ser para a vida. Alguns sem perceber o porquê... Cresci com tudo isso. Tive o meu primeiro Magusto na faculdade, apanhei a bebedeira da minha vida. Tive frequências para as quais não me esforcei nem metade do que conseguia. Desiludi-me comigo mesma por isso. Aprendi a admirar o sossego do Alentejo e, contrariamente ao que pensava, tive muitas saudades de casa. Tomei decisões importantes para o meu futuro. Percebi que um bom tempo de relação não significa conhecer a outra pessoa em todas as suas formas. Atingi a maioridade, fiz os meus 18 aninhos no dia 22.

Este ano teve tanto de bom como de mau, essa é verdade.  E é difícil escrever tudo aquilo que sinto quando penso neste ano. Aliás, é difícil eu entender o que sinto, o que foi na realidade este ano para mim. Para ser sincera, acho que perdi um pouco aquilo que eu era na verdade, acho que desapareci um bocado para o mundo. Faltou-me o silêncio, faltou-me estar sozinha em tantas ocasiões…faltou-me estar acompanhada por pessoas que não me tirassem aquele brilho tão próprio de mim! E a prova disso é que deixei este blog morrer…Deixei de escrever regularmente. Quase nunca, na verdade. Deixei de viver com as emoções todas à flor da pele. Dizem que faz parte de crescer… Deixei de sentir cada palavra, deixei de sentir cada momento, cada minuto com a intensidade que sentia. Oh, que saudades!

5 comentários:

  1. Eu sinceramente não costumo fazer esse tipo de retrospetiva especialmente no final do ano, nunca tive esse costume...Acho que a estou constantemente a fazer à medida que vão acontecendo as coisas...

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  2. Volta! Lembra-te que aqui podes desabafar à vontade. Aqui tens o tal silêncio.
    Espero que o próximo ano seja. Faz com que seja melhor. Melhora aquilo que achas que deves melhorar em ti.

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  3. Olá, estou a tentar divulgar o meu blog. Não sei se esta é a maneira mais correta, visto que parece mais uma corrente, mas pronto. Espero que gostes e pelo menos o visites.
    http://half-dead-half-loved.blogspot.pt/

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  4. Adorei ler e revi-me em muitos mas muitos aspectos. Bom ano, bom ano. E que o próximo te trate (ainda) melhor! Beijinhos e felicidades!

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  5. Feliz 2015!
    É altura de deixar esses momentos menos bons em 2014 e que em 2015 recuperes aquilo que eras :)

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